Solteirice impulsiona mercado imobiliário no DF

Celebrado neste sábado (15), o Dia dos Solteiros terá ações especiais em bares de Brasília. Na noite da capital, as dinâmicas de “match” ao vivo ganham espaço entre quem quer mudar o status de relacionamento ou apenas socializar. O Jornal de Brasília conversou com especialistas e brasilienses para entender como é a vida de solteiro, incluindo vantagens, desafios e as transformações desse estilo de vida.
Uma das iniciativas em alta é o Catálogo dos Solteiros, criado pela empresária Samantha Hewsen. A brincadeira, que completa um ano, surgiu da percepção de que o público estava saturado dos aplicativos de relacionamento. “Eu fotografo o pessoal e criei literalmente um catálogo físico de solteiros, onde as pessoas deixam a foto e, atrás, fica o contato”, explicou. No verso da foto, são incluídos nomes de usuário nas redes sociais, orientação sexual e idade.
Os matches são feitos ao vivo, de forma analógica. “Ele é mais caloroso, tem mais contato humano, o que os aplicativos geralmente não têm”, disse Samantha. Para ela, a ideia é resgatar a paquera natural, com contato visual e conversa presencial. O catálogo costuma circular no bar Toinzinho, no Guará I, mas também marca presença em outros estabelecimentos e eventos. No dia 15 de agosto, o encontro especial será no Toinzinho.
Para participar, a pessoa contribui com R$ 20 para tirar a foto na hora ou enviar uma imagem. A foto entra no catálogo virtual do dia, acessível apenas aos participantes daquele bar. Durante a semana, há também o catálogo físico, com a agenda divulgada nos stories do Instagram de Samantha. Em 2027, a ideia ganha um aplicativo chamado Amora, que vai conectar pessoas em bares e eventos em tempo real.
Bares como o Ordinário Bar & Música também aderiram à data, com entrada gratuita até as 18h e atrações como o pagode Du Dudu. Carlos Eduardo Miranda, sócio do local, afirmou que a data deixou de ser associada apenas à ideia de “estar sem namorado” e passou a representar liberdade e autonomia. A proposta é criar um ambiente acolhedor, sem a pressão de uma data romântica.
A psicanalista Ana Paula Gimenez destacou que é preciso diferenciar o desejo genuíno de se relacionar da urgência de responder a cobranças externas. “Viver essa solitude — estar bem consigo sem experimentar isso como abandono — permite que conexões futuras sejam construídas pelo desejo de compartilhar, e não pelo medo de ficar só”, analisou. A psicóloga clínica Gabryella Luna acrescentou que a solteirice pode abrir espaço para autonomia, mas o estigma social ainda afeta mais as mulheres, que podem ser vistas como “desamparadas” por estarem sozinhas.
Essa busca por independência também reflete no mercado imobiliário do Distrito Federal. Segundo dados da PNAD Contínua do IBGE, pessoas que moram sozinhas representam 19,9% dos lares no DF. O presidente do SECOVI/DF, Eduardo Pereira, afirmou que imóveis menores, como kitnets e flats, têm alta procura em regiões como Asa Sul, Asa Norte, Sudoeste, Noroeste e Águas Claras. “Tanto a tendência social em continuar solteiro quanto os valores altos do metro quadrado no DF influenciam na decisão de morar sozinho em apartamentos menores e mais acessíveis”, disse.