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Home»Insights»Gelo derrete antes de se transformar em água
Insights

Gelo derrete antes de se transformar em água

Nathan López BezerraBy Nathan López Bezerra05/01/20264 Mins Read
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O gelo parece simples, mas é cheio de segredos. Água congelada, dura e fria, mas há muito mais por trás disso. Muito antes de derreter de verdade, o gelo já está passando por mudanças que ninguém enxergava. Um mistério que começou no século 19 agora tem explicação, graças a cientistas chineses que usaram inteligência artificial e microscópios super precisos.

Estamos falando de um enigma com 170 anos de história. A ciência sempre soube que algo de estranho acontecia, mas não entendia exatamente como.

O Mistério que Começou com Faraday

Vamos voltar no tempo, lá para o século 19. O físico britânico Michael Faraday, famoso por suas leis da eletricidade, notou algo intrigante: as superfícies de gelo pareciam ter uma “camada molhada” mesmo em temperaturas bem abaixo de zero. Estranho, certo? Afinal, não deveria ser só gelo sólido até começar a derreter?

Essa camada foi chamada de camada de pré-derretimento. É uma película finíssima que aparece na superfície do gelo até antes de ele derreter completamente. O grande problema é que, por mais de um século, ninguém conseguiu ver como ela era em nível molecular. Sabia-se que existia, mas ninguém tinha ideia de como.

Observando o Gelo Átomo por Átomo

Agora, pulamos para 2025. Pesquisadores da Universidade de Pequim resolveram encarar o problema com o que há de mais moderno na ciência. A estratégia foi ousada: misturar microscopia de força atômica com aprendizado de máquina. Essa dupla é bem inusitada, mas super eficaz.

A microscopia de força atômica, ou AFM, funciona com uma ponta microscópica que “varre” a superfície do material. Ela detecta variações minúsculas de força, revelando detalhes em escala atômica — conseguindo até observar átomos individuais. Mas sozinha, essa técnica tem limitações e não consegue montar estruturas tridimensionais complexas, especialmente em superfícies irregulares, como o gelo.

É aí que a inteligência artificial entra em ação.

A Chegada da Inteligência Artificial

Os cientistas alimentaram algoritmos de machine learning com simulações muito realistas da dinâmica molecular. Essas simulações incluíam também ruídos e imperfeições típicas dos experimentos. Ou seja, ensinaram a IA a “imaginar” como o gelo deveria ser, mesmo quando os dados estavam incompletos.

O resultado foi incrível: o algoritmo conseguiu interpretar os sinais da microscopia e, pela primeira vez, reconstruir a estrutura atômica da camada de pré-derretimento. O estudo foi publicado em uma das revistas mais respeitadas da física.

O Que Foi Descoberto?

A parte mais surpreendente veio quando os pesquisadores analisaram o gelo em temperaturas entre -152 °C e -93 °C. Um frio que faria qualquer freezer parecer quente! Nesse intervalo, o gelo continua sólido, mas sua superfície muda de estado. As moléculas de água perdem a organização típica dos cristais de gelo, formando uma camada amorfa.

Resumindo: não é um cristal organizado, mas também não é água líquida. É um estado meio estranho, como um “quase” líquido. A análise mostrou que essa camada continua sólida, mas é bem desordenada e evolui lentamente para um estado quase líquido à medida que a temperatura sobe.

Por Que Isso é Importante?

Agora vem a famosa pergunta: ok, mas por que isso importa? A resposta simples é que o gelo está em todo lugar. E a explicação longa é ainda mais interessante.

Essa camada de pré-derretimento afeta fenômenos como:

  • Fricção (isso explica, por exemplo, por que dá para patinar no gelo).
  • Química atmosférica, com reações que ocorrem em nuvens geladas.
  • Criopreservação, usada para conservar células e tecidos.
  • Comportamento de materiais em condições extremas.

Assim, entender o gelo ajuda a compreender muitas outras coisas que podem parecer distantes.

E Não Para Por Aí

Além disso, a técnica desenvolvida pelos pesquisadores pode ser usada em muito mais do que entender o gelo. A combinação de AFM com aprendizado de máquina pode abrir portas para investigar interfaces desordenadas, transições de fase e defeitos em materiais de forma super detalhada.

Isso pode impactar uma série de áreas, como:

  • Desenvolvimento de materiais funcionais.
  • Estudos em sistemas biológicos.
  • Pesquisa em nanotecnologia.

Um dos pesquisadores, Hong, ressaltou que essa abordagem oferece uma ferramenta poderosa em escala atômica para investigar fenômenos que antes eram invisíveis.

Um Mistério Resolvido… e Novos Surgindo

Finalmente, depois de 170 anos, temos uma resposta sobre a famosa camada de pré-derretimento do gelo. Acredito que até Faraday, se estivesse aqui, ficaria orgulhoso. Mas como toda descoberta científica, essa resposta também levanta novas perguntas. Afinal, se até o gelo, algo tão comum, tem mistérios tão complexos, o que mais pode estar escondido logo debaixo dos nossos olhos?

Essa descoberta abre novas trilhas para a ciência. Portanto, é hora de continuar explorando, já que sempre há algo mais a descobrir, não só sobre o gelo, mas sobre tudo ao nosso redor.

Nathan López Bezerra
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Formado em Publicidade e Propaganda pela UFG, Nathan começou sua carreira como design freelancer e depois entrou em uma agência em Goiânia. Foi designer gráfico e um dos pensadores no uso de drones em filmagens no estado de Goiás. Hoje em dia, se dedica a dar consultorias para empresas que querem fortalecer seu marketing.

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