Reforma preserva memória afetiva em apartamento de 150 m²

Uma reforma em um apartamento de aproximadamente 150 m² em Brasília optou por um caminho diferente do convencional. Em vez de começar pela demolição, o projeto priorizou a preservação da história da família que vive no imóvel há décadas. A transformação foi assinada pela artista plástica e designer de interiores Cecília Herculano, que buscou criar ambientes que unem funcionalidade, conforto e identidade.
Antes de definir o novo layout, a profissional estudou a rotina dos moradores para identificar os elementos que faziam parte da memória afetiva da casa. Esse processo resultou em nove propostas de planta diferentes. A configuração final foi escolhida por atender às necessidades da família sem descaracterizar o imóvel.
“O maior desafio não era modernizar o apartamento, mas preservar aquilo que nenhuma reforma consegue reconstruir: sua identidade”, afirma Cecília Herculano.
A nova organização do espaço prioriza a convivência. A cozinha ganhou destaque e passou a ser o ponto central da residência, funcionando como um local de encontros. Os banheiros foram reorganizados e os pilares estruturais, que antes eram vistos como limitações, foram integrados ao desenho da marcenaria. Isso criou uma integração visual entre os ambientes e uma circulação mais fluida.
O piso original em parquet foi o elemento central do projeto. Ele foi restaurado com cuidado e mantido como protagonista da decoração. A partir dele, materiais naturais como madeira, pedras claras, tecidos em fibras naturais e marcenaria sob medida ajudaram a compor uma atmosfera acolhedora e atemporal. A iluminação foi planejada para valorizar texturas, obras de arte e aproveitar a luz natural durante o dia.
“Acredito que uma casa contemporânea não precisa abrir mão da sua história. Quando respeitamos a memória do lugar, criamos espaços que atravessam o tempo com naturalidade”, destaca a designer.
Na decoração, um dos destaques é a mesa de centro Trellis, assinada por Karoline Bortoluzzi, cujo design contemporâneo conversa com o piso original. A área social também conta com uma composição artística formada por uma gravura de Marcelo Solá e obras de Helena Lopes e Carlos Eduardo Zimmermann. Um painel deslizante entre a cozinha e o living, junto com a marcenaria personalizada, oferece soluções práticas sem prejudicar a estética.
O projeto vai além de seguir tendências e mostra uma forma de morar que valoriza a permanência, o bem-estar e a conexão com a própria história. Ao manter elementos originais e adaptá-los às necessidades atuais, a reforma demonstra que inovar também pode significar respeitar o passado.