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Quanto rende por mês na renda fixa

O percentual anunciado não é o que chega à conta, e a diferença tem três causas.

Por · · 7 min de leitura
Calculadora e caderno de anotações sobre mesa de madeira clara

Calculadora e caderno de anotações sobre mesa de madeira clara

A pergunta chega sempre no mesmo formato: quanto rende por mês na renda fixa se eu aplicar tanto. A resposta honesta começa por um incômodo, porque ela depende de três coisas que mudam de banco para banco, e o número que aparece no anúncio raramente é o que cai na conta no fim do mês.

Com a conta na mão, dá para estimar sozinho e parar de depender da estimativa de quem está vendendo.

O que "render" significa nessa conta

Quase toda aplicação conservadora acompanha um indicador, e o mais usado é o CDI, que anda colado na taxa básica de juros. Quando um produto promete pagar 100% do CDI, ele está dizendo que entrega o que o indicador rendeu no período, nem mais nem menos.

Por isso não existe um rendimento fixo em reais. Existe um percentual que se aplica sobre o valor investido, e esse percentual muda quando a taxa básica muda, o que acontece várias vezes ao ano.

Renda fixa ou variável é a primeira decisão antes de qualquer conta, porque as duas respondem a lógicas diferentes: uma entrega previsibilidade com teto conhecido, a outra abre espaço para ganho maior em troca de oscilação. Quem já escolheu o caminho conservador pode seguir para a parte prática, que é estimar o quanto aquilo devolve por mês.

Como cada aplicação forma o rendimento

O que define o retorno de cada tipo
AplicaçãoComo o rendimento se forma
CDB pós-fixadoPercentual do CDI combinado na contratação, com imposto na retirada
LCI e LCATambém seguem o CDI, e são isentas de imposto para pessoa física
Tesouro SelicAcompanha a taxa básica, com imposto e taxa da B3 sobre valores maiores
PoupançaRegra própria, isenta de imposto, com aniversário mensal do depósito
Fundo DISegue o CDI e desconta taxa de administração antes do seu resultado
CDB prefixadoTaxa travada na contratação, sem acompanhar mudanças posteriores

A segunda linha explica por que uma LCI que paga menos que um CDB pode terminar entregando mais: a isenção compensa o percentual menor.

A conta do rendimento em cinco passos

  1. Descubra o CDI atual. Ele é divulgado ao ano e muda quando a taxa básica muda.
  2. Aplique o percentual do produto. Um CDB de 100% do CDI entrega o próprio CDI.
  3. Converta o ano em mês. Divida por doze apenas para estimar, sabendo que juro compõe.
  4. Multiplique pelo valor investido. Aí aparece o bruto do mês.
  5. Desconte o imposto da faixa. O líquido é o número que interessa.

Por que o mesmo valor rende diferente em cada banco

Bancos grandes costumam oferecer percentuais menores do CDI nos produtos de liquidez diária, porque contam com a conveniência de o dinheiro já estar ali. Instituições menores pagam mais para atrair depósito, e essa diferença aparece na conta todo mês.

Existe também o efeito do prazo. Aplicações que só liberam o resgate no vencimento pagam mais que as de liquidez diária, e essa é a troca central: você abre mão de acessar o dinheiro para receber um percentual melhor.

Some-se a isso o valor aplicado. Muitas instituições reservam as melhores taxas para faixas maiores, e a mesma aplicação pode ter percentuais distintos conforme o montante, algo que nem sempre está visível na primeira tela.

O que o imposto tira do resultado

Na maior parte da renda fixa o imposto é regressivo, ou seja, cai conforme o tempo em que o dinheiro fica aplicado. São 22,5% sobre o rendimento em resgates até 180 dias, 20% entre 181 e 360, 17,5% entre 361 e 720, e 15% depois de 720 dias.

Isso muda a comparação entre produtos. Um CDB de 105% do CDI resgatado em dois meses pode entregar menos que uma LCI de 95% do CDI mantida pelo mesmo período, simplesmente porque a segunda não paga esse imposto.

Vale lembrar que o imposto incide só sobre o rendimento, nunca sobre o valor aplicado. E que ele é retido no resgate, o que faz o saldo na tela parecer maior do que o dinheiro que efetivamente vai chegar à conta.

Quando a poupança perde e quando ela empata

A poupança tem regra própria: rende 0,5% ao mês mais a taxa referencial enquanto a taxa básica estiver acima de 8,5% ao ano, e passa a render 70% da taxa básica mais a referencial quando ela cai para 8,5% ou menos.

Com juros altos, essa regra trava o rendimento em um patamar que fica bem abaixo do que uma aplicação atrelada ao CDI entrega, mesmo depois do imposto. É nesse cenário que a diferença entre deixar na poupança e aplicar em renda fixa fica mais visível ao longo do ano.

Há um detalhe que pesa mais que a regra: o aniversário. A poupança só credita o rendimento na data mensal do depósito, e retirar um dia antes significa perder o mês inteiro, o que não acontece em aplicações de liquidez diária.

O erro de olhar só o percentual anunciado

Um número maior na propaganda não garante resultado maior na conta. É preciso olhar três coisas juntas: o percentual do indicador, a existência ou não de imposto e as taxas cobradas pela instituição ou pelo fundo.

Taxa de administração é a que mais passa despercebida. Um fundo que segue o CDI e cobra 1% ao ano de administração entrega, na prática, bem menos que uma aplicação direta equivalente, e essa diferença cresce quanto maior o valor.

Vale conferir também a garantia. Depósitos em bancos são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos até um limite por instituição e por pessoa, enquanto títulos públicos têm a garantia do próprio Tesouro, e fundos seguem outra lógica.

O que muda com o tamanho do valor aplicado

Valores pequenos rendem pouco em qualquer aplicação, e é comum a frustração de ver alguns reais no fim do mês. Isso não indica produto ruim: indica que percentual pequeno sobre valor pequeno resulta em número pequeno.

Conforme o montante cresce, começam a pesar detalhes que antes eram irrelevantes, como a taxa da bolsa sobre o Tesouro acima de certo valor ou a diferença de meio ponto no percentual do CDI. Em valores altos, esse meio ponto vira uma quantia relevante ao ano.

Por isso a estratégia costuma mudar de faixa em faixa. Quem está começando ganha mais organizando aportes regulares do que caçando o produto com o percentual mais alto do mercado.

Perguntas frequentes sobre quanto rende a renda fixa

Dá para saber o rendimento exato do mês?

Só depois que o mês fecha, porque o indicador varia dia a dia. Antes disso, o que existe é estimativa.

Liquidez diária rende menos?

Costuma render, sim. O acesso imediato ao dinheiro é pago com um percentual menor do indicador.

LCI e LCA são sempre melhores por serem isentas?

Não sempre. Só quando o percentual oferecido não for baixo demais frente ao produto tributado equivalente.

O imposto incide sobre o valor aplicado?

Não. Ele incide apenas sobre o rendimento, e é retido no momento do resgate.

Prefixado é mais seguro que pós-fixado?

São riscos diferentes. O prefixado trava a taxa e você ganha se os juros caírem, e perde se subirem.

Vale deixar tudo em uma aplicação só?

Vale separar por objetivo e por prazo, porque a reserva de emergência precisa de liquidez que o resto não exige.

Resumo

O rendimento mensal não é um valor fixo: é um percentual de um indicador que muda ao longo do ano. Para estimar, descubra o indicador, aplique o percentual do produto, converta para o mês, multiplique pelo valor investido e desconte o imposto da faixa de prazo. Compare sempre o líquido, e não o número do anúncio, porque isenção, taxa de administração e prazo de resgate mudam o resultado final. Em juros altos, a regra da poupança a deixa atrás das aplicações atreladas ao CDI, e o aniversário mensal dela ainda pode custar o mês inteiro de rendimento.

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