Quanto rende por mês na renda fixa
O percentual anunciado não é o que chega à conta, e a diferença tem três causas.
Calculadora e caderno de anotações sobre mesa de madeira clara
A pergunta chega sempre no mesmo formato: quanto rende por mês na renda fixa se eu aplicar tanto. A resposta honesta começa por um incômodo, porque ela depende de três coisas que mudam de banco para banco, e o número que aparece no anúncio raramente é o que cai na conta no fim do mês.
Com a conta na mão, dá para estimar sozinho e parar de depender da estimativa de quem está vendendo.
O que "render" significa nessa conta
Quase toda aplicação conservadora acompanha um indicador, e o mais usado é o CDI, que anda colado na taxa básica de juros. Quando um produto promete pagar 100% do CDI, ele está dizendo que entrega o que o indicador rendeu no período, nem mais nem menos.
Por isso não existe um rendimento fixo em reais. Existe um percentual que se aplica sobre o valor investido, e esse percentual muda quando a taxa básica muda, o que acontece várias vezes ao ano.
Renda fixa ou variável é a primeira decisão antes de qualquer conta, porque as duas respondem a lógicas diferentes: uma entrega previsibilidade com teto conhecido, a outra abre espaço para ganho maior em troca de oscilação. Quem já escolheu o caminho conservador pode seguir para a parte prática, que é estimar o quanto aquilo devolve por mês.
Como cada aplicação forma o rendimento
| Aplicação | Como o rendimento se forma |
|---|---|
| CDB pós-fixado | Percentual do CDI combinado na contratação, com imposto na retirada |
| LCI e LCA | Também seguem o CDI, e são isentas de imposto para pessoa física |
| Tesouro Selic | Acompanha a taxa básica, com imposto e taxa da B3 sobre valores maiores |
| Poupança | Regra própria, isenta de imposto, com aniversário mensal do depósito |
| Fundo DI | Segue o CDI e desconta taxa de administração antes do seu resultado |
| CDB prefixado | Taxa travada na contratação, sem acompanhar mudanças posteriores |
A segunda linha explica por que uma LCI que paga menos que um CDB pode terminar entregando mais: a isenção compensa o percentual menor.
A conta do rendimento em cinco passos
- Descubra o CDI atual. Ele é divulgado ao ano e muda quando a taxa básica muda.
- Aplique o percentual do produto. Um CDB de 100% do CDI entrega o próprio CDI.
- Converta o ano em mês. Divida por doze apenas para estimar, sabendo que juro compõe.
- Multiplique pelo valor investido. Aí aparece o bruto do mês.
- Desconte o imposto da faixa. O líquido é o número que interessa.
Por que o mesmo valor rende diferente em cada banco
Bancos grandes costumam oferecer percentuais menores do CDI nos produtos de liquidez diária, porque contam com a conveniência de o dinheiro já estar ali. Instituições menores pagam mais para atrair depósito, e essa diferença aparece na conta todo mês.
Existe também o efeito do prazo. Aplicações que só liberam o resgate no vencimento pagam mais que as de liquidez diária, e essa é a troca central: você abre mão de acessar o dinheiro para receber um percentual melhor.
Some-se a isso o valor aplicado. Muitas instituições reservam as melhores taxas para faixas maiores, e a mesma aplicação pode ter percentuais distintos conforme o montante, algo que nem sempre está visível na primeira tela.
O que o imposto tira do resultado
Na maior parte da renda fixa o imposto é regressivo, ou seja, cai conforme o tempo em que o dinheiro fica aplicado. São 22,5% sobre o rendimento em resgates até 180 dias, 20% entre 181 e 360, 17,5% entre 361 e 720, e 15% depois de 720 dias.
Isso muda a comparação entre produtos. Um CDB de 105% do CDI resgatado em dois meses pode entregar menos que uma LCI de 95% do CDI mantida pelo mesmo período, simplesmente porque a segunda não paga esse imposto.
Vale lembrar que o imposto incide só sobre o rendimento, nunca sobre o valor aplicado. E que ele é retido no resgate, o que faz o saldo na tela parecer maior do que o dinheiro que efetivamente vai chegar à conta.
Quando a poupança perde e quando ela empata
A poupança tem regra própria: rende 0,5% ao mês mais a taxa referencial enquanto a taxa básica estiver acima de 8,5% ao ano, e passa a render 70% da taxa básica mais a referencial quando ela cai para 8,5% ou menos.
Com juros altos, essa regra trava o rendimento em um patamar que fica bem abaixo do que uma aplicação atrelada ao CDI entrega, mesmo depois do imposto. É nesse cenário que a diferença entre deixar na poupança e aplicar em renda fixa fica mais visível ao longo do ano.
Há um detalhe que pesa mais que a regra: o aniversário. A poupança só credita o rendimento na data mensal do depósito, e retirar um dia antes significa perder o mês inteiro, o que não acontece em aplicações de liquidez diária.
O erro de olhar só o percentual anunciado
Um número maior na propaganda não garante resultado maior na conta. É preciso olhar três coisas juntas: o percentual do indicador, a existência ou não de imposto e as taxas cobradas pela instituição ou pelo fundo.
Taxa de administração é a que mais passa despercebida. Um fundo que segue o CDI e cobra 1% ao ano de administração entrega, na prática, bem menos que uma aplicação direta equivalente, e essa diferença cresce quanto maior o valor.
Vale conferir também a garantia. Depósitos em bancos são cobertos pelo Fundo Garantidor de Créditos até um limite por instituição e por pessoa, enquanto títulos públicos têm a garantia do próprio Tesouro, e fundos seguem outra lógica.
O que muda com o tamanho do valor aplicado
Valores pequenos rendem pouco em qualquer aplicação, e é comum a frustração de ver alguns reais no fim do mês. Isso não indica produto ruim: indica que percentual pequeno sobre valor pequeno resulta em número pequeno.
Conforme o montante cresce, começam a pesar detalhes que antes eram irrelevantes, como a taxa da bolsa sobre o Tesouro acima de certo valor ou a diferença de meio ponto no percentual do CDI. Em valores altos, esse meio ponto vira uma quantia relevante ao ano.
Por isso a estratégia costuma mudar de faixa em faixa. Quem está começando ganha mais organizando aportes regulares do que caçando o produto com o percentual mais alto do mercado.
Perguntas frequentes sobre quanto rende a renda fixa
Dá para saber o rendimento exato do mês?
Só depois que o mês fecha, porque o indicador varia dia a dia. Antes disso, o que existe é estimativa.
Liquidez diária rende menos?
Costuma render, sim. O acesso imediato ao dinheiro é pago com um percentual menor do indicador.
LCI e LCA são sempre melhores por serem isentas?
Não sempre. Só quando o percentual oferecido não for baixo demais frente ao produto tributado equivalente.
O imposto incide sobre o valor aplicado?
Não. Ele incide apenas sobre o rendimento, e é retido no momento do resgate.
Prefixado é mais seguro que pós-fixado?
São riscos diferentes. O prefixado trava a taxa e você ganha se os juros caírem, e perde se subirem.
Vale deixar tudo em uma aplicação só?
Vale separar por objetivo e por prazo, porque a reserva de emergência precisa de liquidez que o resto não exige.
Resumo
O rendimento mensal não é um valor fixo: é um percentual de um indicador que muda ao longo do ano. Para estimar, descubra o indicador, aplique o percentual do produto, converta para o mês, multiplique pelo valor investido e desconte o imposto da faixa de prazo. Compare sempre o líquido, e não o número do anúncio, porque isenção, taxa de administração e prazo de resgate mudam o resultado final. Em juros altos, a regra da poupança a deixa atrás das aplicações atreladas ao CDI, e o aniversário mensal dela ainda pode custar o mês inteiro de rendimento.


