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Cartório competente: qual serventia atende cada ato e como saber

Cartório competente é o que a lei designa para cada ato: o imóvel manda no registro, o endereço manda no civil e no de notas a escolha é livre.

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cartório competente

cartório competente

O comprador saiu do banco com a escritura assinada e foi ao cartório mais perto do trabalho, no centro, para registrar. O atendente olhou o endereço do imóvel, no bairro do outro lado da cidade, e devolveu o papel: aquela serventia não cuidava daquela rua. Perdeu a manhã, e ainda pagou estacionamento. O documento estava certo; o balcão é que estava errado.

Saber qual é o cartório competente evita esse tipo de viagem. Cada tipo de ato tem uma regra própria, fixada em lei e na organização judiciária de cada estado. O registro de imóveis segue a localização do bem, o registro civil segue o lugar do fato ou a residência da pessoa, o protesto segue a praça de pagamento do título. Só o tabelionato de notas tem escolha livre, em qualquer cidade do país.

Este texto explica a regra de cada especialidade, mostra como descobrir a circunscrição de um imóvel e como localizar a serventia certa em cidades grandes, com vários ofícios. Traz também o que acontece quando o ato é praticado no lugar errado e o que muda com os atos eletrônicos.

Aqui estão a regra por especialidade, a circunscrição imobiliária, a competência do registro civil e a tabela comparativa. Entram a liberdade do tabelião, os erros mais comuns, a ordem para agir, os custos e as dúvidas mais frequentes.

Cartório competente: a regra de cada especialidade

A competência é territorial na maior parte das especialidades. No registro de imóveis, o município é dividido em circunscrições, e cada matrícula pertence à serventia que atende a rua onde o bem está. Já o registro civil de pessoas naturais atende os fatos ocorridos ou as pessoas residentes na sua área. Para protesto, vale a praça indicada no título; nas cidades com mais de um tabelionato de protesto, um serviço de distribuição reparte os títulos, e o apresentante não escolhe. O registro de títulos e documentos aceita o domicílio de qualquer das partes na maioria dos estados.

Nas cidades pequenas, com um único ofício acumulando várias atribuições, a dúvida não existe, e tudo vai para o mesmo balcão. Ela aparece nas capitais e nas cidades médias, onde a mesma especialidade tem dois, cinco ou vinte ofícios, cada um com o seu pedaço do mapa. São Paulo, por exemplo, tem dezoito ofícios imobiliários, e o comprador precisa saber em qual deles a rua está.

Como descobrir a circunscrição do imóvel

A forma mais rápida é olhar a matrícula ou a escritura anterior: o cabeçalho traz o nome do ofício que já registrou o bem, e é ele que continua competente, salvo redistribuição posterior. Sem documento antigo em mãos, o tribunal de justiça de cada estado publica a divisão das circunscrições por bairro ou por logradouro, e o IPTU costuma indicar o setor cadastral que ajuda na consulta.

Quando a cidade teve desmembramento de circunscrições, o imóvel pode ter mudado de ofício sem que o proprietário saiba, e a matrícula antiga aponta para uma serventia que já não o atende. Nesse caso, a nova é que responde, e a consulta ao tribunal tira a dúvida em minutos.

Para quem precisa achar o cartório competente sem conhecer a divisão da cidade, uma lista de cartórios do Brasil por cidade, com telefone, endereço e atribuição de cada um, ajuda a ligar antes de sair de casa. Na ligação, dá para confirmar se aquela rua está na área de atendimento. Uma ligação de dois minutos substitui a viagem perdida, e ainda serve para saber o horário e os documentos exigidos naquele balcão.

Comparativo por especialidade

Regra de competência de cada tipo de cartório.
EspecialidadeO que define a competênciaEscolha livre?
Registro de imóveisCircunscrição do imóvel.Não
Registro civilLugar do fato ou residência.Só para certidões.
ProtestoCidade de pagamento do título.Não
Títulos e documentosDomicílio de uma das partes.Parcial.
NotasNenhum vínculo territorial.Sim, em todo o país.

Registro civil: onde o fato aconteceu

O nascimento é registrado no cartório do lugar do parto ou no da residência dos pais, à escolha deles. Casamento corre no ofício da residência de um dos noivos, e óbito, no do local do falecimento. Certidões de segunda via saem em qualquer registro civil do país, pela central eletrônica, o que reduz o peso da competência para quem só precisa do papel.

A regra volta a pesar nas averbações: divórcio, mudança de nome e reconhecimento de paternidade são anotados no ofício onde o assento original está, e não em outro. Quem casou numa cidade e mora em outra manda o pedido ao ofício da primeira, hoje por meio eletrônico.

Notas: a única escolha livre

A escritura pública, a procuração, a ata notarial e o reconhecimento de firma podem ser feitos em qualquer tabelionato de notas do Brasil, sem relação com o endereço das partes ou do imóvel. Quem mora em Goiânia pode lavrar a escritura de um apartamento em Florianópolis num tabelião de Belo Horizonte; o registro, porém, terá de ser feito no ofício de imóveis de Florianópolis. Essa liberdade faz muita gente confundir o notário, que é livre, com o registrador, que é fixo.

Erros de quem vai ao balcão errado

O erro mais comum é levar a escritura para o ofício imobiliário mais próximo, em vez do da circunscrição do bem. Vem depois pedir averbação de divórcio no cartório da cidade atual, e não no do casamento. Segue apresentar o título a protesto na cidade do credor, quando a praça indicada nele é outra. Fecha a lista confiar na matrícula antiga depois de um desmembramento de circunscrições, e descobrir na fila que o ofício mudou. Nenhum deles anula o documento, mas todos custam uma viagem e, às vezes, um prazo.

Em ordem, para agir

  1. Identificar o tipo de ato: registro, averbação, certidão, protesto ou escritura.
  2. Se for notas, escolher qualquer tabelionato; se for registro, aplicar a regra territorial.
  3. Para imóvel, conferir a circunscrição na matrícula ou na divisão que o tribunal publica.
  4. Ligar para a serventia antes de ir, confirmando área, horário e documentos.
  5. Ver se o ato pode ser feito por meio eletrônico, sem ir a lugar nenhum.

O passo quatro é o que separa a manhã perdida da manhã resolvida, e custa uma ligação.

Quanto custa

Descobrir o cartório competente não custa nada: a consulta ao tribunal e a ligação são gratuitas. O que custa é errar: uma escritura apresentada no ofício errado é devolvida sem cobrança, mas a segunda viagem, o estacionamento e o dia de trabalho perdido saem do bolso, e um título reapresentado em outra cidade pode perder o prazo. Os emolumentos do ato em si são tabelados por estado e não mudam conforme o ofício escolhido dentro da mesma cidade. A tabela vale para todos, do centro à periferia.

Perguntas frequentes sobre a competência

Cartório competente é sempre o mais próximo de casa?

Não. Para imóvel, é o da circunscrição do bem; no civil, o do local do fato ou da residência; e para escritura, qualquer tabelião do país.

Posso fazer a escritura em outra cidade?

Sim. O tabelião é livre. O registro dessa escritura, porém, só pode ser feito no registro imobiliário da cidade do bem.

Como sei em qual ofício de imóveis está o meu apartamento?

Pelo cabeçalho da matrícula ou da escritura anterior, ou pela divisão de circunscrições publicada pelo tribunal de justiça do estado.

Segunda via de certidão precisa do cartório de origem?

Não. Pode ser pedida em qualquer registro civil ou pela central eletrônica; só as averbações exigem o ofício do assento original.

Quem escolhe o cartório de protesto?

Ninguém: é o da cidade de pagamento do título e, havendo mais de um, o serviço de distribuição reparte entre eles.

O que acontece se eu levar ao ofício errado?

O documento é devolvido sem registro e sem cobrança, e é preciso levá-lo ao competente, o que pode custar prazo.

Resumo

Cartório competente depende do ato. O registro imobiliário segue a circunscrição em que o bem está, o civil segue onde o fato ocorreu ou onde a pessoa mora, o protesto segue a cidade indicada no título, e o tabelião é livre em todo o país. A matrícula, a divisão do tribunal e uma ligação antes de sair tiram a dúvida, e o meio eletrônico dispensa a viagem em boa parte dos casos.

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