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Certificado digital em nuvem: como o celular assina de qualquer computador

O token ficou no escritório e a alteração contratual precisa ser assinada hoje; a assinatura sai do celular.

Por · · 6 min de leitura
Mão segurando um celular com notificações na tela em um escritório iluminado

Mão segurando um celular com notificações na tela em um escritório iluminado

Imagine um sócio que precisa assinar a alteração contratual na junta comercial enquanto está no aeroporto. O token ficou no escritório, o notebook tem o driver mas não a mídia, e o despachante avisa que a assinatura precisa sair hoje. Com o certificado digital em nuvem, a assinatura sai do celular: o computador do despachante abre o documento, o telefone do sócio pede a confirmação, ele digita o PIN, e está assinado. O certificado nunca esteve em nenhum dos dois aparelhos.

Este texto explica onde o certificado em nuvem fica guardado, como a assinatura é autorizada pelo celular, a diferença para A1 e A3, os serviços das certificadoras, o que acontece se o celular for trocado, onde ele ainda não funciona e quanto custa.

Onde o certificado fica?

A chave privada é gerada e armazenada num equipamento criptográfico da certificadora, um HSM homologado, e nunca sai de lá. O titular não recebe arquivo nem token; recebe um aplicativo no celular que serve de chave de acesso a essa chave.

Quando um documento precisa ser assinado, o sistema envia o resumo do arquivo ao servidor da certificadora; o titular autoriza pelo aplicativo, com PIN e biometria; o servidor assina e devolve a assinatura. O documento em si não viaja.

Esse arranjo é reconhecido pela ICP-Brasil como certificado do tipo A3, com a mesma validade legal do token.

Certificado digital em nuvem, A1 e A3: o que muda no uso

A tabela compara os três formatos no dia a dia.

CritérioNuvemA1A3 em token
Onde a chave ficaHSM da certificadoraArquivo no computadorChip do token
O que o titular carregaO celularNada, se estiver no computador de sempreO token
Assina de qualquer computadorSimSó onde estiver instaladoSó com driver e token conectado
Assinatura automática por sistemaNão; cada uso é autorizadoSimNão
Validade1 a 5 anos1 ano1 a 5 anos
Risco de perdaBaixo; troca de celular recuperaAlto sem backupAlto; mídia perdida encerra o certificado
Depende de internet no celularSimNãoNão

Para quem assina documentos de vários lugares, peticiona, prescreve ou aprova pagamentos fora do escritório, a nuvem é o formato que dispensa carregar mídia. A página de certificado digital em nuvem compara os serviços de cada certificadora, a validade e o preço por ano.

Como a assinatura é autorizada

A sequência abaixo é a de uma assinatura comum, num sistema integrado.

  1. No computador, o usuário escolhe assinar com certificado em nuvem e seleciona a certificadora.
  2. O sistema pede o CPF ou o e-mail cadastrado e envia a solicitação ao servidor da certificadora.
  3. O celular do titular recebe a notificação do aplicativo com a descrição do que está sendo assinado.
  4. O titular confirma com o PIN e, conforme a configuração, a biometria do aparelho.
  5. O servidor assina e o sistema no computador recebe o documento assinado em segundos.
  6. O aplicativo registra o histórico de assinaturas, que o titular pode conferir a qualquer momento.

Os serviços das certificadoras

Cada certificadora dá um nome ao próprio serviço em nuvem: Bird ID, VIDaaS, SafeID, Remote ID e Syngular ID são os mais conhecidos, e o certificado do CFM para médicos também é em nuvem. O padrão de segurança é o mesmo, definido pela ICP-Brasil; a diferença está no aplicativo, nas integrações e no preço.

A integração importa: nem todo sistema aceita toda certificadora em nuvem. Antes de escolher, vale conferir se o tribunal, o emissor de nota ou a plataforma de assinatura que você usa está integrado ao serviço.

Trocar de serviço depois exige emitir um certificado novo.

Troca, perda ou roubo do celular

O certificado não está no celular; está no servidor. Trocar de aparelho é instalar o aplicativo no novo e reativar a conta, com validação que varia por certificadora, de código por e-mail a nova videoconferência.

Celular perdido ou roubado não expõe a chave, porque o uso exige o PIN e a biometria. Ainda assim, o titular pode bloquear o acesso pelo site da certificadora na hora.

É a razão de a nuvem ter o menor risco de perda entre os três formatos.

Onde a nuvem ainda não funciona

Sistemas que exigem assinatura automática, como emissor de nota em lote e integrações de ERP, não conseguem esperar a confirmação no celular a cada documento; para eles, o A1 continua sendo o formato. Sistemas antigos que só leem o repositório de certificados do Windows também não enxergam a nuvem.

Sem internet no celular, não há assinatura. Em locais sem sinal, o A3 ou o A1 são o plano B.

Empresa com volume alto costuma ter um e-CNPJ A1 no sistema e certificados em nuvem para os sócios que assinam.

Preço em relação aos outros formatos

O certificado em nuvem é vendido por período, de um a cinco anos, com preço anual próximo ao do A1 e sem custo de mídia. Em cinco anos, sai mais barato que renovar o A1 todo ano e que comprar token.

Algumas certificadoras cobram diferente por volume de assinaturas em planos corporativos; para pessoa física e pequena empresa, o plano padrão cobre o uso comum.

A emissão segue o mesmo caminho dos outros: validação por videoconferência ou presencial, e ativação no aplicativo.

Perguntas frequentes sobre certificado digital em nuvem

O que é certificado digital em nuvem?

Um certificado ICP-Brasil cuja chave fica num equipamento seguro da certificadora e é acionada pelo celular do titular, com PIN e biometria, para assinar de qualquer computador.

Tem a mesma validade do token?

Sim. É reconhecido como certificado do tipo A3, com validade legal idêntica e prazo entre um e cinco anos.

Funciona para nota fiscal?

Para assinar manualmente, sim. Para emissão automática em lote, não, porque cada uso exige confirmação no celular; nesse caso o A1 é o formato.

E se eu trocar de celular?

Instala o aplicativo no novo aparelho e reativa a conta. O certificado não estava no celular antigo.

Precisa de internet?

Sim, no celular, no momento da assinatura. Sem sinal, não assina.

Todo sistema aceita?

Não. Tribunais, emissores e plataformas precisam estar integrados ao serviço da certificadora escolhida. Confira antes de emitir.

Resumo

O certificado digital em nuvem guarda a chave num HSM da certificadora e a aciona pelo celular do titular, com PIN mais biometria, o que permite assinar de qualquer computador sem token nem arquivo. A validade é a de um A3, de um a cinco anos, e o risco de perda é o menor entre os formatos. Ele não serve para assinatura automática em lote nem funciona sem internet no celular, e cada sistema precisa estar integrado ao serviço escolhido, seja Bird ID, VIDaaS, SafeID, Remote ID ou Syngular ID. O preço anual fica próximo ao do A1, sem custo de mídia.

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