Distribuição de vacinas imunizantes no Brasil é um desafio?

Estamos vivendo um ano completamente atípico. Com a pandemia de Covid-19, tudo o que lemos e fazemos é voltado a conhecer e tentar se proteger deste vírus (ainda pouco conhecido).

As vacinas surgem como uma esperança em meio a crise sanitária. Acelerados, os estudos para o desenvolvimento dos imunizantes acabam contando com uma série de pedras no caminho. Uma das maiores delas é a logística.

O que é logística?

Logística nada mais é que gestão. No caso dos lotes de vacina, a organização de como será o armazenamento, a rota, o rastreamento e a distribuição. Lembramos que a pandemia nos atinge em escala mundial, muitos (se não todos) os imunizantes terão de ser transportados por horas a fio.

Para evitar a perda de vacinas, tanto por danos físicos quanto por desnaturação do produto, é preciso que empresa, governo e transportadora estejam alinhados e oferecendo suporte uns aos outros.

As condições de armazenamento de uma vacina

Os imunizantes, na história geral da humanidade, levam anos para serem desenvolvidos. Com a necessidade de urgência que o coronavírus nos apresentou, os pesquisadores estão tendo que correr contra o tempo para garantir a maior eficácia entre as mais diversas variantes.

Como modo de precaução, muitas das vacinas estão exigindo condições de armazenamento bem específicas. A Sputnik V, produzida pelo Instituto Gamaleya, na Rússia, pede uma câmara frigorífica modelada em -18°C. Já a americana Pfizer pede um índice de congelamento de -60°C a -80°C.

Estas temperaturas ultrafrias dificultam o processo de transporte deste imunizante. O Brasil não possui unidades frigoríficas que possam armazenar lotes da vacina da Pfizer, por exemplo.

Claro que este seria o menor problema, já que, caso assinada a compra, o país iria se dispor a comprar um local propício para o armazenamento. No entanto, todo o trajeto entre a América do Norte e a América do Sul também teria de fornecer condições iguais ao estocamento final.

É preciso muito gelo seco e materiais de isolamento para que tudo se mantenha firme em climas tropicais. Sem patente nacional, a ida e vinda das vacinas acaba sendo um problema já que muitas nações não têm aparato para desenvolver sua própria vacina.

Quem pode ajudar no processo de distribuição?

Empresas, farmacêuticas e governo precisam se integrar para otimizar o processo. Especialistas em logística, como a alemã DHL, realizou diversos estudos para proporcionar a mega distribuição.

A empresa diz que cerca de 10 bilhões de doses de imunizantes serão necessários para que, ao menos, 60% da população mundial se vacine. Hoje, o Ministério da Saúde aposta em uma tática técnica ao receber Coronavac e Oxford/Astrazeneca quinzenalmente.

Como o Brasil está em relação a vacinas e distribuição?

O país passou por dificuldades, mas as driblou muito bem. Ao aderir imunizantes de Oxford e da Sinovac, o Brasil não precisou lidar com temperaturas baixíssimas (ambas precisam ser armazenadas entre 2 e 8 graus centígrados).

A temperatura positiva permitiu longas viagens de avião. Desta forma, grande parte das vacinas chegam através do Aeroporto Internacional de São Paulo, em Guarulhos. De lá, as transportadoras se encarregam de levar os lotes por toda a extensão nacional. Atualmente, foi anunciada a Versamune.

O imunizante do governo federal em parceria com uma farmacêutica norte-americana ainda está em fase muito iniciais de teste.

Concluindo…

O Brasil tem um histórico superpositivo no que diz respeito à vacinas.

As campanhas nacionais conseguiram erradicar inúmeras doenças e até se instaurar no imaginário popular, com figuras como Zé Gotinha. Porém, a demanda é de uma proporção gigantesca e exige que os governos federais, estaduais, municipais, farmacêuticas e empresas especialistas em logística e distribuição se aliem fortemente, o que configura sim em um desafio ainda gigantesco para as gestões e para a população do país.

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