Acordo comercial Coreia do Sul-Mercosul, paralisado pela Covid-19

O Brasil e a Coréia do Sul mantêm relações diplomáticas há 60 anos. Em 2019, o comércio entre os dois países atingiu R $ 9,1 bilhões e os investimentos diretos da Coréia do Sul no Brasil totalizaram R $ 19, 7 bilhões. Desde então, existe uma expectativa em torno de um acordo comercial entre Seul e o Mercosul, bem como intercâmbios bilaterais nas áreas de política e economia, além de outros setores.

As empresas sul-coreanas também estão de olho no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) do governo brasileiro, na esperança de participar de grandes obras de infraestrutura. No entanto, o governo brasileiro tem enfrentado pressões contra acordos de tinta com a Coreia do Sul, predominantemente vindos da Confederação Nacional da Indústria (CNI). A entidade afirma que um acordo Mercosul-Coreia do Sul reduziria o PIB da maioria dos setores da agricultura, indústria extrativa, indústria de transformação e serviços.

Projeções feitas por especialistas da CNI mostram que, com a eliminação das tarifas de importação, 51 setores econômicos brasileiros seriam prejudicados. Representantes da indústria brasileira temem que a Coreia do Sul seja o segundo maior alvo mundial de casos antidumping. Dados da Organização Mundial do Comércio (OMC) mostram que, em 2008 e 2019, houve 148 medidas direcionadas a Seul por práticas consideradas desonestas. Apenas a China recebeu mais reclamações. Por outro lado, em entrevista ao The Brazilian Report, o Embaixador da Coreia do Sul no Brasil, Kim Chan-Woo, afirmou que os acordos são altamente benéficos para todas as partes, e já teriam sido finalizados se não fosse a Covid- 19 pandemia. Ele também falou sobre o interesse das empresas sul-coreanas em investir no Brasil, dizendo que isso aumentará se as reformas administrativa e tributária forem aprovadas. Leia a entrevista completa abaixo:

Qual é o avanço das negociações do acordo entre a Coréia do Sul e o Mercosul? As negociações do acordo comercial Coréia do Sul-Mercosul tiveram uma quinta reunião em fevereiro deste ano, no Uruguai. Mas com esta pandemia inesperada causada pela Covid – 19, foi impossível realizar novas reuniões para discussões. Os governos da Coreia do Sul e do Brasil acreditam que a celebração do acordo afetará positivamente as economias dos dois países. Portanto, ambos os países compartilham o desejo de continuar os esforços para que as negociações sejam concluídas em breve.

A expectativa é que a conclusão dessas negociações traga diversos benefícios. Além disso, o acordo não só beneficiará o comércio bilateral, como também atingirá as economias dos dois países de forma mais ampla, ampliando a cooperação bilateral, o que contribuirá – no médio e longo prazo – para uma renovação estrutural e melhora do nível. da tecnologia brasileira.

Quais são os principais investimentos sul-coreanos no Brasil e como podem ser ampliados? Segundo dados do Ministério da Economia do Brasil, os investimentos sul-coreanos no país atingiram US $ 19 .7 bilhões desde 2004, o que demonstra o dinamismo dos investimentos sul-coreanos empresas no Brasil. Segundo relatório 2019 do Comitê Econômico das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe, os investimentos das empresas sul-coreanas na América Latina são em grande parte investimentos greenfield, modelo de investimento que implica na construção de plantas industriais, com a utilização de mão-de-obra local, contribuindo significativamente para o desenvolvimento da economia regional.

Com a conclusão do acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul, esse tipo de investimento das empresas sul-coreanas certamente aumentará. Por outro lado, após a reforma previdenciária [approved last year by Brazil’s Congress], as reformas administrativa e tributária em curso contribuirão ainda mais para a atração de investimentos estrangeiros no Brasil. Além disso, a Coreia do Sul apoiará ativamente o progresso da adesão do Brasil à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O governo brasileiro anunciou projetos de reestruturação de infraestrutura, como rodovias e ferrovias.

As empresas sul-coreanas planejam participar desses empreendimentos? O mercado de infraestrutura no Brasil é vasto e atraente. Se fosse possível, as empresas sul-coreanas teriam interesse em participar ativamente de projetos como uma ferrovia de alta velocidade entre o Rio de Janeiro e São Paulo, entre vários outros projetos. A embaixada da Coréia do Sul está divulgando ativamente os Programas de Parcerias de Investimento (PPIs) do governo brasileiro. Em outubro, está previsto o Fórum Empresarial Sul-Coréia-Brasil, com a presença de especialistas brasileiros em infraestrutura. Além disso, há planos de formar um grupo de trabalho entre os dois governos para tratar desse assunto.

A Coreia do Sul transformou empresas nacionais como LG e Samsung em enormes corporações internacionais. O Brasil ainda não administrou isso, qual é a fórmula para o sucesso da Coreia do Sul? Em termos territoriais, a Coreia do Sul é um país pequeno com recursos naturais limitados, portanto essas empresas tinham uma grande necessidade de estarem presentes no mercado externo. Para atender a essa necessidade, era necessário criar recursos humanos, criar uma rede de apoio com empresas globais, que era o que a [the Korea Trade-Investment Promotion Agency] Kotra fazia, e desenvolver tecnologia industrial por meio de agências como a [the Korea Institute of S&t Evaluation and Planning] Kistep.

Acredito que esses três tipos de políticas contribuirão para que essas empresas globais cresçam com sucesso. A estratégia da Coreia do Sul no combate à Covid – 19 tem sido vista como um exemplo a ser seguido na comunidade internacional. O que o Brasil pode aprender com o país? Na verdade, a estratégia de combate à Covid – 19 pode diferir de país para país, dependendo do nível do serviço de saúde, das condições geográficas, entre outros fatores. Não acho que exista uma solução única para todos os problemas. No que diz respeito à estratégia da Coreia do Sul, desde o início da pandemia Covid – 19, medidas como trabalho remoto e aulas online foram tomadas para estabelecer um forte sistema de distanciamento social. Além disso, com o uso da TI, um dos pontos fortes do país, tivemos um resultado muito eficaz na testagem, identificação e tratamento dos pacientes, o que chamamos de Estratégia 3T.

E quais têm sido as estratégias da Coreia do Sul para minimizar os impactos econômicos causados ​​pela Covid – 19? Com a prolongada pandemia Covid – 19, temos uma tendência mundial de alta demanda por soluções não presenciais e a busca por uma economia sustentável de baixo carbono. Em resposta a isso, o governo sul-coreano está elaborando um Novo Acordo Digital, para acelerar a conversão da economia atual em uma economia digital, e estabelecendo o Novo Acordo Verde para converter em uma economia sustentável de baixo carbono. Esses são os dois principais pilares da política sul-coreana do New Deal atualmente em andamento.

A ideia é recuperar as perdas econômicas causadas pela Covid – 19 e criar empregos. O desenvolvimento da energia solar e dos sistemas de armazenamento de energia, entre outros, que são cobertos pela política do New Deal Verde, poderia ser um ponto de cooperação entre os dois países, com as políticas de energias renováveis ​​do Brasil. Quais são os planos para fortalecer a cooperação entre a Coreia do Sul e o Brasil na era pós-Covid – 19? O mundo está vivendo uma realidade nunca antes vista do “novo normal” devido à Covid – 19. Uma visão da economia e da indústria precisa buscar estratégias que estejam alinhadas a esta nova realidade. Devido à Covid – 19, as fronteiras foram fechadas, afetando a economia global. Ao experimentar essa nova realidade, precisamos de um sistema de comércio exterior mais aberto.

Tenho notado especialmente a importância da comercialização de equipamentos e materiais médico-hospitalares, entre outros insumos importantes para a continuidade das atividades econômicas, bem como a necessidade de permitir a livre circulação de executivos. Portanto, para que a cooperação internacional permita que a cadeia de valor global funcione normalmente, espero um maior fortalecimento da cooperação bilateral e multilateral. Além disso, a embaixada da Coréia do Sul, em parceria com o think tank Fundação Getúlio Vargas, desenvolve pesquisas para verificar as melhores formas de aprimorar a cooperação bilateral em diversos setores, como a política e a economia.

Quais estratégias a Coreia do Sul adotou para evitar a perda de batalhas na guerra comercial entre os EUA e a China? Onde está a Coreia do Sul? O que oferece e do que não desistirá? Os EUA e a China são os dois maiores países em termos de volume de negócios no mundo. Obviamente, o comércio sul-coreano é afetado pelas consequências da guerra comercial entre os dois países. A Coreia do Sul tem acordos comerciais com os EUA e a China. Os potenciais efeitos causados ​​pela guerra comercial estão sendo discutidos bilateralmente com cada país. Se for necessário, existe a possibilidade de solução por via multilateral. A Coreia do Sul foi o primeiro país do mundo a implementar a tecnologia 5G e, usando nossas fortalezas em TI, tenho certeza que podemos superar os desafios impostos pelas divergências entre os dois países.

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